728 x 90

A hora da verdade dos governadores bolsonaristas, por Luís Nassif

A hora da verdade dos governadores bolsonaristas, por Luís Nassif

Toda a tentativa de apresentar Tarcísio como gênio político foi água abaixo depois de seu malabarismo ante as medidas de Trump

Por Luis Nassif

Em editorial, o Estadão manifestou seu desalento com o baixo nível dos governadores de direita que infestam o país. Com o título de “Aprendizes de Bolsonaro”, o editorial explode: “A direita brasileira que se pretende moderna e democrática, se quiser construir um legítimo projeto de oposição ao governo Lula da Silva, precisa romper definitivamente com Jair Bolsonaro e tudo o que esse senhor representa de atraso para o Brasil. Não se trata aqui de um imperativo puramente ideológico, e sim de uma exigência mínima de civilidade, decência e compromisso com os interesses nacionais”.

O editorial se refere ao apoio dado por governadores à truculência do presidente norte-americano Donald Trump. Aliás, essa posição comprometeu profundamente o apoio da mídia ao governador de São Paulo Tarcísio de Freitas.

Toda a tentativa de apresentar Tarcísio como gênio político foi água abaixo depois de seu malabarismo ante as medidas de Trump, deixando-o mal com São Paulo e mal com o bolsonarismo.

Mas, além dessas demonstrações esdrúxulas de falta de esperteza política, seria importante que a mídia se debruçasse sobre aspectos administrativos desses personagens.

Os ataques diuturnos a Lula tiveram dois componentes deletérios. O primeiro, o de ressuscitar o espírito do impeachment, episódio trágico que desarticulou todo o sistema político-institucional brasileiro, permitindo a ascensão do bolsonarismo. O segundo, foi fechar os olhos ao nível extraordinariamente medíocre de algumas administrações.

Tome-se o caso do incrível governador de Minas, Romeu Zema, que se celebrizou comendo banana com casca em redes sociais. Entre 2025 e 2028, Zema anunciou aumento de 15% nos benefícios fiscais concedidos a empresas. No período, significa um total de R$ 95,17 bilhões, sendo R$ 21,8 bilhões já em 2025. Esse montante equivale a 31% da arrecadação tributária estimada para o estado em 2025, que é de R$ 69 bilhões.

O setor mais beneficiado foi o de locadora de veículos, com isenções significativas de IPVA. Logo, um setor que não gera mais empregos, não tem cadeia produtiva e não investe em inovação. Escondeu também os nomes dos beneficiários.

Outro blefe administrativo é o governador gaúcho Eduardo Leite. A tragédia gaúcha fez com que o governo federal isentasse R$ 12 bilhões de pagamento de juros da dívida estadual, mais R$ 18,5 bilhões de transferências diretas. No total, foram R$ 81 bilhões.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), o estado decidiu delegar aos municípios a formulação de estudos e projetos de restauração e prevenção a novos desastres.

Deixou de lado um princípio básico de hidrologia: rios e bacias hidrográficas são de responsabilidade dos estados, não dos municípios, por duas razões: o planejamento tem que ser integrado, porque obras em um município podem afetar a vazão em outros; e municípios não têm capacidade técnica para projetos complexos, como os hidrológicos.

A consequência foi que muito poucas obras foram executadas, deixando o estado à mercê de novas enchentes. Recentemente, o governo gaúcho alegou que obras de contenção de cheia podem demorar até seis anos.

Artigo publicado originalmente no Jornal GGN.

Compartilhe
Grupo Prerrô
ADMINISTRATOR
Perfil

Deixe um comentário

Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados com *

Mais do Prerrô

Compartilhe