PJ investiga ameaças de neonazis contra Mamadou Ba, deputadas e ativistas Antifa
Um grupo neonazi designado Nova Ordem de Avis fez um ultimato a dez pessoas, entre as quais deputadas e ativistas antirracistas e antifascistas
A ameaça chegou no início de agosto, sob a forma de e-mail, à organização SOS Racismo e à Frente Unitária Antifascista (que reúne vários grupos ‘Antifa’ de todo o pais). Tinha como remetente um movimento que se autoproclama nacionalista de ideais neonazis designado Nova Ordem de Avis – Resistência Nacional.
O texto nomeia dez pessoas, conhecidas pelo seu ativismo político antirracista e antifascista, entre as quais as deputadas do BE Beatriz Gomes e Mariana Mortágua, a deputada não inscrita Joacine Katar Moreira, o próprio dirigente do SOS Racismo, Mamadou Ba, e o ativista Jonathan Costa, da Frente Unitária Antifascista (este uma das vítimas dos skinheads recentemente acusados pelo Ministério Público de dezenas de crimes de ódio).
Os outros nomes são de figuras ligadas também a movimentos antirracistas, antifascistas (Antifa), sindicalistas e LGBT: Danilo Moreira, coordenador da Frente Unitária Antifascista (FUA) do Sul e dirigente sindical dos trabalhadores dos Call Centers; Rita Osório, ativista LGBT, coordenadora também da FUA sul e membro da Plataforma Antifascista de Lisboa e Vale do Tejo (PALVT); Vasco Santos, coordenador da FUA, candidato do MAS (Movimento Alternativa Socialista) e dirigente do sindicato da função pública do Norte; Luís Lisboa, músico e professor, membro do Núcleo Antifascista de Guimarães; e Melissa Rodrigues, membro do Núcleo Antirracista do Porto.
A Polícia Judiciária (PJ), sabe o DN, já recebeu a denúncia e não perdeu tempo a abrir um inquérito para investigar e identificar os autores destas ameaças. A investigação está a ser coordenada pela Unidade Nacional de Contraterrorismo, que investigou também os skinheads.
Esta ameaça é mais uma etapa de uma escalada de situações contra os ativistas antirracistas e antifascistas, que, conforme tem sido noticiado, incluíram manifestações junto à sede do SOS Racismo, com participantes a imitar os membros do Ku Klux Klan (grupo racista que nasceu nos Estados Unidos para defender a supremacia branca) e ameaças escritas nas paredes.
Contactado pelo DN, Mamadou Ba, um dos visados, assinala que estas ameaças “são a consequência natural da escalada racista que o André Ventura tem protagonizado, dando legitimidade à ação terrorista dos grupos neonazis”.
Assine a carta de apoio a Mamadou Ba
Mamadou Ba é um ativista africano radicado em Portugal, assessor parlamentar do Partido Socialista de Portugal e coordenador do SOS Racismo. Em 11 de Agosto, ele e outras nove pessoas (ativistas antirracistas, antifascistas e LGBT deputadas e líderes sindicais) receberam um email enviado pelo movimento neonazi autodenominado Nova Ordem de Avis – Resistência Nacional que os ameaçava e às suas famílias que caso estes não abandonassem o país em 48 horas, haveria consequências. Em julho, a sede do Movimento SOS Racismo em Lisboa havia já sido vandalizada com uma pintura na parede que versava: “Guerra aos inimigos da minha terra”. Em agosto, três dias antes do envio do referido email, um grupo de neonazis juntou-se em frente à mesma numa performance alusiva ao KKK, com tochas e mascaras brancas.
Ele me pediu para divulgar a carta se apoio que vai rodar internacionalmente. Gostaria de estender esse pedido de apoio aos irmãos do grupo já que são pessoas importantes e de forte inserção em seus respectivos meios.
O link para a carta de apoio: https://forms.gle/AMhzN12TmjqKJfQv5
Com informações do Diário de Notícias.




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