O ministro STF Gilmar Mendes elogiou hoje a atuação de Jorge Messias à frente da AGU (Advocacia Geral da União). Messias foi indicado pelo presidente Lula (PT) na última semana a uma vaga no Supremo.
O que aconteceu
“Messias tem se revelado um advogado-geral extremamente diligente e capaz de dialogar com as instituições, disse Gilmar. O ministro destacou o papel do AGU na mediação da crise diplomática com os Estados Unidos e defendeu que o processo de sabatina siga o rito normal no Senado. “É uma questão que diz respeito ao presidente da República e ao Senado.”
Gilmar foi um dos participantes do Fórum Brasil Itália, em Roma, promovido pelo grupo Lide, do ex-governador de São Paulo João Doria. O Fórum é uma iniciativa para discutir as perspectivas econômicas do acordo de livre comércio União Europeia Mercosul.
Lula anunciou a indicação de Messias na última quinta. A decisão seguiu o perfil de escolhas pessoais do presidente: no terceiro mandato, pós-Lava Jato e prisão, Lula tem optado por nomes que ele julga de confiança, como Cristiano Zanin, seu ex-advogado, e Flávio Dino, aliado e ex-ministro da Justiça.
Ontem, advogado-geral da União elogiou Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado. Alcolumbre decidirá quando pauta a votação no Senado sobre a indicação. Em nota à imprensa encaminhada via lista de transmissão no WhatsApp, Messias se referiu ao senador como “autêntico líder” e disse “reconhecer e louvar o relevante papel” que ele desempenha como líder do Congresso Nacional.
Alcolumbre respondeu dizendo que Senado cumprirá função sobre Messias “com normalidade”. Cabe à Casa aprovar, ou não, a escolha do presidente para o STF. “Reafirma que o Senado Federal cumprirá, com absoluta normalidade, a prerrogativa que lhe confere a Constituição: conduzir a sabatina, analisar e deliberar sobre a indicação feita pelo Presidente da República”, disse Alcolumbre, em nota à imprensa.
“Brasil vive normalidade”, diz Gilmar
“Se olharmos o mundo numa perspectiva global, verão que o Brasil vive um momento de normalidade”, disse. Gilmar foi questionado sobre o impacto político das investigações envolvendo o ex-presidente e as tensões entre Poderes.
Segundo ele, apesar dos “episódios lamentáveis” do 8 de janeiro de 2023 e dos desdobramentos que se seguiram, as instituições brasileiras reagiram de forma inédita. “Pela primeira vez, pessoas responsáveis por tentativas de golpe foram levadas ao tribunal e foram condenadas. Esse é o resultado”, disse.
Para o ministro, as notícias que hoje dominam o cenário político são “consequências das decisões já tomadas” em relação aos atos golpistas. “O Brasil mostrou grande capacidade de resistência institucional, de resiliência. A gente podia estar contando a história de um golpe, como tradicionalmente ocorre na América Latina, mas contamos a história de um sucesso”, afirmou.




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