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Aqui está o texto completo e atualizado da matéria, incluindo os trechos das novas imagens e mantendo-o totalmente limpo de anúncios, marcas d’água e elementos da página:

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Para coordenador de Lula, Lulinha virou ‘ativo’ da campanha petista

Resumo

O advogado Marco Aurélio de Carvalho foi escalado por Lula para a coordenação de sua campanha pelo país. Em São Paulo, faz a ponte entre a campanha do presidente e do candidato ao governo, Fernando Haddad. Apesar das pesquisas que apontam para uma vitória de Tarcísio em primeiro turno, MAC, como é conhecido, afirma que nunca o PT esteve tão robusto para disputar o governo paulista, juntando três políticos que já disputaram a Presidência e tiveram bom desempenho no estado.

Fundador do grupo de advogados progressistas Prerrogativas, MAC avalia que esta eleição será a mais judicializada da história e que as limitações do defeso nunca foram tão rigorosas. Para Carvalho, que é advogado de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, o filho do presidente Lula deixou de ser um problema e virou um “ativo” da pré-campanha.

“Muita gente tinha dúvida, inclusive do nosso campo, do campo progressista. E a quebra criminosa do sigilo do Fábio foi reveladora. Revelou, na verdade, que ele não tinha, como eu sempre sustentei e ele próprio, nenhum tipo de relação direta ou indireta com os malfeitos do INSS.”

Confira a entrevista que o coordenador da campanha concedeu à coluna:

As pesquisas têm apontado que, em São Paulo, a eleição pode caminhar para uma solução em primeiro turno, com possível vitória de Tarcísio de Freitas. Qual é o desafio de Haddad e o que vai ser feito para garantir um palanque de segundo turno também?

As condições que a gente está reunindo talvez sejam as melhores dos últimos tempos. Estamos muito competitivos. Temos quatro ex-ministros de Estado de um governo cuja aprovação supera a desaprovação e tende a crescer. São três ex-candidatos à Presidência da República, o que dá uma forte possibilidade de recall. E os três [Marina Silva, Simone Tebet e Fernando Haddad] tiveram as suas maiores votações proporcionais em São Paulo. Temos, além deles, um ex-governador do estado de São Paulo (Geraldo Alckmin) e Márcio França, que governou o estado por quase um ano, que conhece profundamente o interior.

O desafio, na verdade, é mostrar à população o Brasil que a gente recebeu e o Brasil que a gente está entregando. Que o presidente Lula, independentemente de não ter afinidade ideológica com o governador, investiu no estado de São Paulo mais de R$ 13 bilhões. O desafio é mostrar que o estado mergulhou no abismo nos últimos quatro anos e viveu uma espécie de apagão. Não temos nenhum projeto estruturante; os projetos que existem têm dinheiro federal.

Qual será o papel de Geraldo Alckmin?

Ele está sendo destacado pelo presidente Lula, a pedido da nossa coordenação, para poder, na verdade, montar uma força-tarefa com prefeitos do interior para tentar, de alguma forma, diminuir a distância do Tarcísio para a gente. Então ele vai ter um papel importante. Digamos que o Geraldo Alckmin pode ser o Messi dessa eleição, né? Porque a gente vai chegar na final com condições de vencer.

Já há uma antecipação da judicialização das pré-campanhas, com a equipe de Flávio Bolsonaro recorrendo frequentemente à Justiça, até contra institutos de pesquisa, e o próprio PT acionando Flávio por propaganda antecipada. Muito dessa eleição será resolvida no tribunal?

Não tem a menor dúvida: esta será, seguramente, a eleição mais judicializada da história do país. E ela tem, na verdade, um duplo desafio. O desafio de a gente conviver com mecanismos ou instrumentos que vão estar a serviço das campanhas que são relativamente recentes, que são os instrumentos ou mecanismos da inteligência artificial. E também o desafio que a gente já enfrentou em 2018 e 2022.

O desespero do Flávio, que está se distanciando do presidente Lula nas pesquisas eleitorais mais recentes, é enorme. Então, eles provavelmente vão jogar baixo. Eles sempre jogaram, vão jogar mais ainda, o que aumenta o nosso desafio. Além disso, o nosso desafio também é evitar que a inteligência artificial possa ser utilizada como instrumento para essas ofensas, para essas vilanias e para essas mentiras. Flávio tem questionado pesquisas, mas é mais do mesmo. É uma velha receita. Eles negam a realidade com muita frequência. Como diz o ditado popular, o sábio ditado popular, Deus limitou a inteligência e não fez a mesma coisa com a burrice. O que parece, esse ditado vale muito para o Flávio e para a equipe dele.

Vocês veem problema com o presidente do TSE, o ministro Nunes Marques?

Nós temos um excelente relacionamento com ele. Independentemente do fato de ele ter sido nomeado pelo presidente Bolsonaro para a Suprema Corte, não acreditamos que ele vá interferir nas eleições. Ele sabe melhor do que ninguém que, numa democracia, quem é soberano para decidir o resultado eleitoral é o voto popular. Eu acho que ele não vai interferir. Não tenho esse receio.

Esse temor jurídico, aliás, tomou todo o governo com a história do defeso, que está muito além do que sempre foi feito. Por que esse excesso de preocupação?

Exatamente porque, na verdade, nós não tivemos nenhuma outra eleição com tantas restrições. Isso nos preocupa. O governo está trabalhando e evidentemente o trabalho do governo não deixa de ser um instrumento de propaganda dos seus feitos. Vamos lembrar que Bolsonaro, nas eleições de 2022, não teve limites. Inclusive, ele usou parte das reservas para tentar beneficiar determinados segmentos e extrair algum tipo de dividendo eleitoral. E à época não houve nenhum tipo de reclamação, não houve nenhum tipo de revolta popular ou coisa do gênero. Eu não vou negar o óbvio. Existe realmente uma preocupação. Então, vamos tentar dialogar com o tribunal para que isso não se perpetue.

O governo não está exagerando nessa cautela? Retirou 150 mil conteúdos da EBC, o que causou protesto do sindicato dos jornalistas.

Nós sabemos que o momento é desafiador. Então é fundamental que a gente não facilite o trabalho de quem quer nos desabilitar. É fundamental que a gente não facilite o trabalho do jurídico do Bolsonaro. Então, é melhor a gente pecar por cautela do que, na verdade, eventualmente ignorar as restrições e ter qualquer tipo de problema jurídico. A cautela nesse caso, levando em consideration as tentativas de golpe que o país sofreu e tudo mais, a cautela é recomendável e mais do que isso talvez seja até exigível. A gente vai questionar na Justiça [o excesso de restrições], mas não vamos deixar de cumprir qualquer que seja a regra exatamente para não dar margem a dúvidas.

Qual a restrição mais recente e difícil?

Saber qual é o limite de manifestações que um presidente da República tem o direito e o dever de fazer para que elas não passem qualquer tipo de mensagem de natureza eleitoral. Isso é muito subjetivo. Por exemplo, no caso do tarifaço. Acabaram de impor tarifas absolutamente injustas e injustificadas. É natural que o presidente da República fale à nação e dê uma resposta ao país e ao mundo. Então, se ele estiver fazendo isso, ele está fazendo disputa política com objetivo eleitoral? Não. Mas, entretanto, tem gente que pode achar que sim. É complicado, é tudo muito novo.

Qual a estratégia de ataque à candidatura de Tarcísio de Freitas?

Ele é frágil sob qualquer perspectiva. É uma pessoa questionável do ponto de vista moral. Permitiu, na verdade, que o governo dele fosse contaminado por diversos escândalos de corrupção e coisas do gênero. Tem uma postura no mínimo leniente em relação a esse tema. Veja que o presidente Lula e o Haddad fizeram mais para combater o crime organizado no estado de São Paulo do que Tarcísio como governador. Basta você pegar as operações da Polícia Federal, Carbono Oculto e outras, que atingiram o coração do crime organizado em São Paulo.

Mas, além disso, o fato é que São Paulo parou. Nós não temos, na verdade, nada de criativo que está sendo feito em São Paulo. O que também não é uma surpresa, porque, na verdade, é um governador que nem sequer conhecia o estado de São Paulo. Ele não é daqui.

A mesma acusação que ele faz à Marina e à Simone.

Tem uma diferença enorme, né? Na verdade, ele forjou um domicílio eleitoral. A Marina e a Simone foram candidatas à Presidência da República, conhecem todos os estados da federação, se dedicaram nos seus respectivos mandatos no Senado a defender os interesses da nação e, muitas vezes, os interesses de São Paulo. Têm trabalhos inquestionáveis como ministras de Estado. Então, não forjaram a relação. Pelo contrário, pediram licença para entrar no estado de São Paulo. O problema dele não é o fato dele ser carioca. O problema é ter com São Paulo uma relação meramente utilitarista, uma relação falsa. Ele veio para São Paulo para ser eleito governador e para se preparar para disputar a presidência da República. Essa é a verdade.

O sr. fez uma crítica contundente a Paulo Skaf, presidente da Fiesp, que culpou o governo Lula no caso do tarifaço. Acredita que essa crítica, essa cobrança ao governo, possa vir também do agronegócio?

Acho difícil. Minha crítica ao Skaf é que ele colocou, à frente dos interesses da indústria paulista, os interesses políticos e eleitorais dele. Ele tinha que ser duramente repreendido pelos associados dele. Além de ser profundamente injusta, ela me parece ser pouco inteligente. Acho que seria pouco inteligente, repito, haver qualquer tipo de questionamento, porque não houve, na história recente do país, nenhum outro presidente que atuou de forma tão firme para defender na indústria nacional, a agricultura nacional, como o presidente Lula. O Brasil abriu 500 novos mercados, segundo o Geraldo Alckmin anunciou, para os setores da agricultura em especial. Além disso, nós lançamos o maior Plano Safra do Brasil.

Vocês têm dimensionado ou produzido vacinas a respeito de dois temas que têm sido abordados na pré-campanha, como o caso de Jaques Wagner e o caso de Fábio Lula da Silva, o Lulinha, com o Careca do INSS?

Se, eventualmente, Lulinha chegou a ser um problema na campanha, ele passa a ser um ativo. Como uma solução. Em que medida? Muita gente tinha dúvida da postura do Fábio. Muita gente tinha dúvida inclusive do nosso campo, do campo progressista. E a quebra criminosa do sigilo do Fábio foi reveladora. Revelou, na verdade, que ele não tinha, como eu sempre sustentei e ele próprio, nenhum tipo de relação direta ou indireta com os malfeitos do INSS. O sigilo dele foi quebrado e foi criminosamente vazado para a opinião pública.

Então aqueles que tinham dúvida a respeito dele puderam confirmar que o Fábio não participou de nenhuma irregularidade. Ele não tinha nenhuma relação com o Careca do INSS ou com quem quer que seja que pudesse colocá-lo na posição de suspeito, por exemplo. Nunca teve e não tinha e segue não tendo. Então, se ele foi um problema, hoje ele passa a ser uma solução.

E no caso de Jaques Wagner?

Jaques já deu algumas explicações, já comprovou a origem do dinheiro, o que é importante. Não negou a relação que ele tinha e tem com o empresário. Mostrou, portanto, uma postura transparente. Espero que ele possa, ao final, comprovar que não fez absolutamente nada de errado. Mas o importante é que ele está esclarecendo.

O sr. acredita que Lula vai ser atingido negativamente pelo tarifaço?

Não. Mesmo aqueles que votam ou poderiam votar em Bolsonaro, sobretudo a chamada elite empresarial brasileira, uma parte da elite empresarial, sabem muito bem que o Flávio trabalhou para que isso acontecesse. Ele só não esperava, evidentemente, que houvesse reação de parte da sociedade brasileira. E agora ele está tentando se distanciar do problema, como se ele não tivesse sido parte do problema. Foi ele que buscou, enfim, a retaliação ao Brasil com interesses indiscutivelmente eleitorais. Para além disso, ele próprio estabeleceu uma relação de subserviência sem precedentes na história recente do país. Colocou, na verdade, a campanha dele, a equipe dele, à disposição do governo Trump para fazer, uma “transição”. É realmente uma postura criminosa.

O ministro Alexandre de Moraes está errado em proibir a visita de Flávio ao pai?

É elogiável a postura do ministro, sobretudo a coragem que ele tem demonstrado. É importante dizer que isso não aconteceu do nada. Ele tomou essa postura depois, evidentemente, do Bolsonaro e do filho tentarem tumultuar as eleições. Ele está tentando evitar o tumulto nas eleições. Vamos lembrar que nós todos sabemos o que esse povo fez no verão passado. Eles tentaram aplicar um golpe no país. Não é uma coisa qualquer. Num regime democrático, esse é o crime mais grave, você atentar contra a Constituição.

Muito se tem comparado com as visitas recebidas e as cartas de Lula durante sua prisão em Curitiba.

No caso de Lula, não havia uma sentença penal condenatória transitada em julgado, como há no caso de Bolsonaro. Bolsonaro foi condenado em caráter definitivo. O Lula estava preso e, contra o princípio da presunção de inocência, foi tirado das eleições para as quais ele era franco favorito, nunca ameaçou a democracia e estava se manifestando sem ter proibição para isso. E a única proibição que existia para ele e que ele respeitou foi a de dar entrevistas. Mas ele não foi proibido de se comunicar por cartas, até porque ele não utilizou isso para trazer instabilidade ao país.

Por: Tatiana FarahColunista do UOL

Publicado no UOL.

Imagem: Prerrô

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Guilherme Silva
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