A menos que os ganhos com a privatização sejam colossais, a variável de ajuste para expandir os serviços será a tarifa
Não sou dogmático em relação a parcerias privadas. Eu e Ana Estela elaboramos uma das mais bem-sucedidas parcerias público-privadas da história, o Prouni, que já beneficiou mais de dois milhões de jovens de baixa renda. Chefiei também a equipe que elaborou a lei geral das PPPs.
Os dois projetos sofreram oposição de setores da direita e da esquerda. O PFL (atual DEM) chegou a entrar com uma Adin junto ao STF contra o Prouni. Os procuradores do MEC eram simpáticos à tese do PFL, o que me obrigou, com o apoio do meu chefe de gabinete, a definir a vencedora estratégia de defesa.
O governo Lula foi também responsável pela maior expansão da história da rede federal de universidades, demonstrando que esforços públicos e privados podem se reforçar mutuamente.
Dito isso, passo a tecer considerações sobre a nova lei regulatória de saneamento.
A menos que os ganhos de produtividade com a privatização sejam verdadeiramente colossais, a variável de ajuste para expandir os serviços será a tarifa, pressionada pela necessidade de ampliação dos investimentos, de um lado, e de eventual aumento do subsídio cruzado, de outro.
Minha aposta, hoje, é a de que, tudo dando certo, podemos até ter algum incremento do atendimento, mas à custa de um choque tarifário que será suportado prioritariamente pelas classes médias. A ver.
Artigo publicado originalmente na Folha de S. Paulo.




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